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Câmara realiza sessão solene “Mulher Cidadã”

por Rafael Martins última modificação 12/03/2019 13h59
O plenário Dr. Luiz Carlos Pinto da Silva foi palco, na noite da última sexta-feira (8), da Sessão Solene de entrega do troféu e do diploma “Mulher Cidadã 2019”.

A homenagem é outorgada anualmente, no Dia Internacional da Mulher, a mulheres que se distinguem na sociedade palmeirense por relevantes serviços prestados em diferentes áreas. As homenageadas do ano foram: Dioneia Cristina Caron (indicada pela OAB Subseção de Palmeira das Missões), Laerta Gomes de Souza (indicada pela APAM/Fórum da Mulher e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher), Maria Helena Hilário Machado (indicada pelo 40º Núcleo do CPERS/Sindicato), Vilma Valadam Soares (indicada pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus), Terimar Ruoso Moresco (indicada pelo Rotary Club/Casa da Amizade), Angelita Brites Becker (indicada pela Liga Feminina de Combate ao Câncer) e Maria Eloi Amaral Bueno (indicada pela Mesa Diretora da Casa através do vereador Tiago Antunes).

Compuseram a mesa de autoridade, o prefeito Eduardo Freire, a vice-presidente do legislativo Karin Uchôa, 2º secretário do legislativo Tiago Antunes, a coordenadora municipal de políticas públicas para as mulheres Sara Ávila, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Ana Jossade Félix Vieira e a presidente do Fórum da Mulher Daguimar Vargas Velho.

Além do presidente do legislativo, Fernando Vilande, também ocuparam a tribuna, o prefeito Eduardo Freire, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Ana Jossade Vieira, o vereador Claudio Mineiro, a vereadora Karin Uchôa e a homenageada Terimar Moresco, que falou em nome das demais agraciadas.

Dionéia Cristina Caron

Indicada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Palmeira das Missões

Categoria: Defesa dos Direitos da Mulher

A menina simples do interior de Tenente Portela sempre cultivou muitos sonhos. Filha de pequenos agricultores, Dionéia Cristina Caron, cresceu com o desejo de estudar e ajudar os pais, Nilson Luiz e Ivanir de Fátima.

- Quando era pequena, via meus pais sofrerem muitas injustiças por não terem condições, por não ter conhecimento. E aquilo foi me motivando e gerando um sentimento que um dia eu queria “conhecer a lei” para poder ajudar eles e outras pessoas, independente se fosse rico ou pobre.

Nossa homenageada chega à Palmeira das Missões no ano de 2004 determinada a construir sua carreira profissional e cumprir a promessa que fizera à mãe desde a infância: ingressar no ensino superior.

- Eu dizia para minha mãe... Quando eu for estudar vou sentar na primeira classe, na frente do professor e quando me formar foi ficar com a melhor nota da turma.

Com muito esforço e dedicação, em 2012, Dioneia conquista o título de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais (direito), pela Universidade de Passo Fundo (UPF). No dia da formatura ela recebe a Láurea Acadêmica por ter obtido a melhor média da turma de formandos e ganha uma bolsa de estudos para a Escola Superior do Ministério Público.

Aqui em Palmeira, Dioneia casou-se com o empresário Rafael Picolotto e teve dois filhos, o Victor e o Eduardo. “Minha família é o combustível que me impulsiona a seguir. O que eu busco hoje, que tento ser o mais correta possível e fazer as coisas certas, é para que eu seja motivo de orgulho para meus filhos e que eles também sejam para mim”, garante.

Com a experiência de 15 anos como gerente de uma franquia de cosméticos, ela sempre teve acesso facilitado ao público feminino, o que gerou desejo de trabalhar em prol dos direitos da mulher. Em 2017 foi chamada para ser conselheira da Comissão da Mulher Advogada, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Palmeira das Missões. Segundo ela, o trabalho foi muito gratificante e deu a oportunidade conhecer a realidade de outras mulheres. “Vimos quantas mulheres que são maltratadas, que sofrem

violência psicológica e física, que muitas vezes não tem nem autoestima para enfrentar tudo aquilo”, explicou.

A advogada também salienta a necessidade de trabalhar a autoestima das mulheres. Acho que o ponto principal de tudo isso é ela mesmo. Ela sentir confiança, ela ter um trabalho, ela saber que é capaz. Porque tu pode até afastar ela do agressor, mas se ela não tiver coragem, se não tiver autoestima, se não acreditar nela mesmo, ela não vai conseguir enfrentar”, destaca Caron.

Atualmente, ela é Secretária-Geral da OAB Subseção de Palmeira das Missões. Possui Especialização em Direito Público e em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, e Formação Internacional em Programação Neurolinguística.

Laerta Gomes de Souza

Indicada pela APAM/Fórum da Mulher e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Categoria: Combate à Violência Contra a Mulher

São muitas histórias e vários anos dedicados à educação. Laerta Gomes de Souza é palmeirense, nasceu no dia 4 de outubro de 1946, é casada com Moises Almeida de Souza, mãe de Marta Cristina, Fabio e Fausto. Avó de 6 netos.

Iniciou suas atividades como professora em 1969, com 22 anos, na rede municipal de educação. Em seguida, passou no concurso da rede estadual e sua trajetória na educação ficou ainda mais intensa e recheada de conquistas e realizações.

Na Escola Estadual Palmeira das Missões, o Polivalente, ela foi a primeira professora das séries iniciais. Já na Escola Carimela Bastos, implantou a 5ª, 6ª, 7ª e 8ª série, atuou como diretora durante 4 anos e registrou o Jardim de Infância. Foi a primeira diretora da Escola Presidente João Goulart (CIEP), onde registrou o nome da biblioteca “Neusa Goulart Brizola”. Com essa informação, fica evidente sua paixão partidária. Que ela faz questão de demonstrar, em palavras e em ações. “Nasci no PDT, meu pai era Brizolista, sempre fui atuante e amo ser”, enfatiza. Ela já foi presidente da Ação da Mulher Trabalhista (AMT) e atualmente é secretaria da executiva do partido no município.

A homenageada também atuou como professora no Colégio Estadual Três Mártires durante 9 anos. Desempenhou funções na 20ª Coordenadoria Regional de Educação durante 10 anos, e por 5 anos foi Coordenadora Adjunta.

A lembrança que faz os olhos de Laerta marejar é dos 11 anos que morou na Esquina São João. Por lá, fez amizades que o tempo não apagou. Participou e colaborou com as ações sociais promovidas pela igreja católica, sendo catequista durante 10 anos e contribuindo com a formação religiosa de crianças e adolescentes na Paróquia São João Batista.

“Tive uma vida muito feliz na esquina São João. Foi muito bom, a comunidade, a parceria, as amizades. Eu ajudava nos remates das carreiras, bordava para as mulheres, era muito bom!”, lembra.

Outra boa recordação é dos anos dedicados à Unidade Móvel para o Trabalho. Foram dois anos saindo de casa às 5h30min e voltando às 20h. Nas cidades da região, ela passava ensinando as técnicas comerciais, como a emissão de notas promissórias, preenchimento de cheques, e os trâmites para abrir empresas de pequeno e médio porte.

Aposentada desde dezembro de 2018, ela conta que agora pretende se dedicar mais ao Fórum da Mulher, ao grupo Maturidade Ativa do SESC, e ao Asilo São Vicente de Paulo, que recentemente foi convidada para ser voluntária na Associação Damas de Caridade.

Na sua auto avaliação, ela afirma ter uma certa tendência à liderança. Tanto que muitas vezes foi chamada de “mão de ferro” pelos filhos. “Sou muito intensa, gosto muito de desafios, sou persistente, ativa, dinâmica, e britânica no quesito pontualidade”, enfatizou Laerta.

 

Maria Helena Hilário Machado

Indicada pelo 40º Núcleo do CPERS/Sindicato

Categoria: Educação da Mulher

 

Maria Helena Hilário Machado nasceu no dia 18 de outubro de 1962. Filha de agricultores, aprendeu desde cedo a trabalhar no “tambo” de leite que dava sustento à família, que residia no interior de Palmeira das Missões.

Quis o destino que ainda muito nova, aos 6 anos, perdesse o pai. E a mãe partiu tragicamente, em um acidente de carro, quando Maria Helena estava com 12 anos. “É doído tu perder os pais, mas se não tivesse acontecido isso, hoje eu não seria quem sou. Porque numa situação dessas tu é obrigado a amadurecer. É uma coisa bem dolorosa mas no final eu sou grata”, desabafa.

A homenageada tem graduação em pedagogia e há 26 anos é servidora pública estadual. Na Escola Estadual Cacique Neenguiru trabalhou durante 15 anos. Há mais de uma década é agente educacional na Escola Celeste Gobbato. Local que ela faz questão de dizer que ama trabalhar. “É maravilhoso! Eu amo trabalhar na escola, os colegas, o diretor. O ambiente é gostoso. [..] Passamos o dia todo na escola, convivemos mais lá do que em casa”, conta.

Umas das boas recordações da Lena, como é conhecida, são os tempos dedicados ao futsal. Orgulhosa, ela conta que foi a primeira mulher de Palmeira das Missões a jogar o futebol de salão. “Tínhamos um time muito bom aqui, o melhor da região! Olha, tinham bastante medo de nós!”, relembra.

Maria Helena atua nas lutas sociais, na defesa dos direitos dos trabalhadores em Educação, junto ao CPERS/Sindicato desde 1992. De 2014 a 2017 compôs a Direção do 40º Núcleo do CPERS/Sindicato. “Todas as coisas que a gente consegue, são através de pressões, não deveria ser assim, mas infelizmente é. Então eu tô sempre na luta, vamos lutar. Por mais que a gente perca as coisas, a gente tem que estar sempre tentando”, afirma.

Hoje, com 56 anos, ela já faz planos para a aposentadoria, que chega em 2022. Ela conta que é muito autêntica, verdadeira, paciente, e que gosta muito de ficar em casa. Sobre receber a homenagem ela diz que é gratificante e que ficou muito honrada e feliz por representar o CPERS e os colegas.

 

Vilma da Silva Valadam

Categoria: Promoção da Participação Política da Mulher

Indicada pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus

 

Um texto bíblico conta a história de um homem que havia sido espancado e deixado quase morto por assaltantes. O relato conta que passaram duas pessoas e ao verem o homem caído ao chão foram por outro caminho. A história muda quando passa um “bom samaritano”. Que teve piedade daquele homem, tratou suas feridas, o levou para uma hospedaria e cuidou dele. O mesmo texto trata o “Bom Samaritano” como um exemplo a ser seguido.

A Vilma segue esse exemplo citado na bíblia há 30 anos. Ao lado do esposo, Florito Valadam, entrega sopa e salada de frutas para cerca de 100 pessoas em situação de

vulnerabilidade social no Bairro Franco II. Mas, além do alimento para o corpo, eles entregam o alimento para a alma. O tempero principal dos pratos bem servidos é carinho, compaixão e empatia. “Não somos os salvadores da pátria, mas o que a gente pode fazer, a gente faz. Trabalhamos por amor, sem retorno financeiro, com a certeza de que a recompensa vem de Deus”, afirma ela.

O casal se conheceu em Cerro Grande, onde Vilma nasceu. Desde então já passaram por Ametista do Sul, Campo Novo, Lajeado do Bugre, Sagrada Família e Três Passos. O trabalho, feito por eles aqui, também foi feito nessas cidades. Não foram poucas as vezes em que o casal levou moradores de rua para dentro de casa para oferecer um lugar confortável para tomar um banho quentinho, comer um prato de comida e até mesmo dormir. Vilma e Florito tiveram três filhas de sangue: Cleidiane, Juliana e Aliciane. A Priscila, filha do coração, foi adotada quando tinha 4 meses.

Aqui em Palmeira das Missões eles fazem parte da equipe do projeto “Semear Bom Samaritano”, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Todas as quintas, na distribuição de alimento, eles atendem mais de 50 famílias. O trabalho começa um dia antes, com a compra dos ingredientes necessários. Às 9h eles partem em direção ao salão da igreja e passam o dia por lá. Alegria, disposição e fé não faltam na missão. As crianças os recebem ansiosos e com um largo sorriso no rosto.

É praticamente impossível falar da história da Vilma sem mencionar o esposo e ele conta que o casal está sempre em sintonia. “A gente segue a mesma linha de pensamento. Então desde que a gente casou, ajudamos as pessoas. Procuramos ajudar sempre concordando um com o outro. A gente faz com alegria, porque se a gente vê uma criança comer, nós ficamos mais alegre que eles que estão se alimentando”, afirmou. 

A homenageada fala que teve uma infância sofrida, com muitas dificuldades e marcada pela violência do pai alcoólatra. “Meus pais não me deixaram estudar quando eu quis. Para ser o que eu sou hoje, é só por Deus. Minha mãe faleceu com 39 anos de tanto sofrer com meu pai. Ele era alcoólatra, então ele judiava de toda a família. Batia nela, batia em nós. Por isso agora eu tento ajudar para amenizar o sofrimento dessas famílias”, conta.

 

Terimar Ruoso Moresco

Indicada pelo Rotary Club/Casa da Amizade

Categoria: Profissionalização da Mulher

Mãe, esposa, professora e feliz! Essa autodescrição é de uma das nossas indicadas ao troféu Mulher Cidadã 2019. Terimar Ruoso Moresco nasceu em Espumoso, é filha de Amauri Antoniazzi Ruoso e de Laura Facin Ruoso. A mãe foi professora de uma escola do interior e nossa homenageada conta algumas experiências que teve. “Morávamos próximo à escola e passávamos boa parte do dia ajudando (ou atrapalhando, não sei). Fazíamos teatros, festas juninas, festas de Natal e Páscoa na comunidade. Acredito que essa vivência ajudou a consolidar minha identidade profissional”, lembra.

A partir do ano de 2000, quando já havia concluído a graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de Passo Fundo e o mestrado em Microbiologia na Universidade Estadual de Londrina, passou a exercer a docência na UPF, onde permaneceu até 2007.

Sua história com a Universidade Federal de Santa Maria começa em 2007, quando mudou-se para Palmeira das Missões e passou a integrar o quadro de professores da instituição. “Mudar foi uma decisão difícil, a família ficaria em Passo Fundo e o campus daqui estava recém começando, mas, conhecendo a história da UFSM, encerrei minha caminhada de 7 anos na UPF para reiniciar uma nova, nessa instituição”, conta.

Ao longo da trajetória profissional, ela já orientou muitos alunos em projetos de pesquisa e extensão. Ela é Doutora em Educação e Ciência pela UFSM, e coordena vários projetos, entre eles, “Cientista por Um Dia” e Controle de Qualidade do Ambiente no Hospital de Caridade de Palmeira das Missões.

Terimar é casada há 25 anos com Edemilsom Moresco, empresário, com quem tem dois filhos: Marlon, com 24 anos, e Eduarda, com 10 anos. “Como mãe, minha preocupação é deixar boas pessoas para o mundo, por isso sou um pouco chata em relação à formação ética e humana dos meus filhos. Não sou uma mãe muito coruja, não faço lanchinhos, não levo toalhas nem arrumo mochila, prefiro que eles sejam autônomos e independentes, que saibam se virar na minha ausência”, enfatiza.

Em 2011, o casal foi convidado para ingressar na família Rotaria. O marido no Rotary Club, e ela na Casa da Amizade. “Na Casa da Amizade procuramos atender às demandas da comunidade. Atendemos famílias, pessoas e entidades que nos solicitam ajuda, as ações são bem diversificadas e muitas vezes não são divulgadas”, disse.

No ano de 2016 a família aceitou um desafio: Edemilson presidir o Rotary, Terimar, a Casa da Amizade e a filha, o Rotary Kids. Durante esse tempo, coordenaram projetos

para compra de equipamentos para a sala de acolhimento às gestantes do Hospital de Caridade, a revitalização do Lar da Criança e Adolescente, doações para a Liga Feminina de Combate ao Câncer e para as crianças da Escola de Música e Arte.

Segundo ela, “o envolvimento com pessoas e com atividades diferentes, ampliam nosso entendimento de mundo, participar de projetos sociais nos mostra o quanto nossas ações impactam outras pessoas, nos ensina a ter empatia”.

 

Angelita Brites Becker

Categoria: Saúde da Mulher

Indicada pela Liga Feminina de Combate ao Câncer de Palmeira das Missões Ser diagnosticado com câncer é receber uma enxurrada de incertezas e dúvidas. Lidar com todos os sentimentos que nascem junto com a doença é uma tarefa bem árdua e desafiadora. Essa missão torna-se possível com o apoio de alguns “anjos” que são colocados no caminho do paciente.

Nossa homenageada de hoje é um desses anjos que aparecem para proporcionar maior qualidade de vida às pessoas que estão em tratamento contra o câncer. Durante as tardes das quartas-feiras, a psicóloga Angelita Brites Becker se dispõe a ouvir os pacientes da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Palmeira das Missões.

Na sala reservada, ela escuta as queixas, sofrimentos e medos. Busca proporcionar a possibilidade de resinificar questões sobre a vida, o adoecer, a saúde mental, o otimismo, a esperança e a morte. “Sempre digo para eles, a doença, a célula maligna, o tumor, é o médico que vai tratar, com o que a ciência descobriu de melhor até hoje. E a saúde mental, se vocês me permitirem, eu vou ajudar. Eu sou aquela bengalinha que vou dar sustentação para vocês caminharem sozinhos”, lembra a psicóloga.

Angelita tem 51 anos, nasceu em São Pedro do Sul mas reside em Palmeira das Missões desde março de 1987. É mãe biológica da Cris, da Bruna, Mairon e Welerson e mãe adotiva de Stéfani, É avó do Pedro Henrique, 4 anos, e do Enzo Rafael, de seis meses. Sua rotina é dividida entre a Escola Estadual Palmeira da Missões, o Polivalente, onde trabalha há 27 anos, o consultório à tarde e os atendimentos da Liga, que são feitos também a domicílio e no hospital, respeitando a necessidade de cada paciente.

Durante a graduação ela fez um breve estágio no Centro de Alta Complexidade de Oncologia (Cacon), no Hospital de Caridade de Ijuí. Ela conta que quando começou na Liga e se deparou com a primeira situação difícil, com o óbito de um paciente, pensou em desistir, mas lembrou o que uma professora havia falado durante o estágio no Cacon: Se não suportar, não vai.

“Fui no velório, muito arrasada, certa de que não suportaria, que tinha chegado o momento de dizer que esse trabalho não era pra mim. Até que um familiar, que sabia do acompanhamento, chegou e disse: tu fez muito por ela, ela gostava muito do teu trabalho, gostava muito de você, ela precisou muito de você. Daí pensei: vou aguentar mais um pouco, alguma coisa eu fiz”, conta Angelita.

Desde 2016, quando iniciou o trabalho voluntário na Liga, ela já atendeu cerca de 30 pacientes, de diferentes idades. Atualmente, a maioria dessas pessoas são idosas e um deles tem 90 anos.

Maria Eloi Amaral Bueno

Indicada pela Mesa Diretora da Câmara de Vereadores

Categoria: Atividade Comunitária em Prol da Mulher

Dona Maria é benzedeira conhecida em Palmeira e na região. Todos os dias, faça chuva ou faça sol, várias pessoas vão até o Bairro Vista Alegre para receber as orações de cura. Quando o portão se abre, e após subir alguns degraus, o caminho rodeado de folhagens leva até a sua sala.

Ali, no ambiente ornamentado com imagens de santos católicos e com referências às correntes africanas, ela assegura que intercede pelos pacientes, que alcançam a cura pelo poder de Deus. Questionada sobre o dom, ela já vai logo avisando que sequer estudou até a 4ª série, mas sempre teve fé no coração.

“O dom vem de Deus, porque quem é eu pra fazer milagre? Isso aí é só Deus. Eu peço, mas se Deus disser que não vai dar, nada feito. Se eu fizer com fé, não pensando no dinheiro, Deus faz milagre. Mas se ir pensando em ganhar, isso aí não é milagre”, garante a benzedeira.

Nascida e criado no Distrito do Quebrado, interior de Palmeira das Missões, Maria Eloi Amaral Bueno teve sete filhos e criou todos com muito sacrifício, pois foi abandonada pelo marido, e o sustento veio do “cabo da inchada”, como ela mesmo conta.

“De repente ele saiu e eu fiquei com os 7 filhos, tudo pequenininho, uma escadinha. Eu criei eles na inchada! A Jurema e a Sonia, que eram maiores, me ajudavam a carpir, os outros eram pequenininhos ainda. [...] Hoje em dia estão todos casados e tem suas casas”, relata com orgulho.

Dona Maria diz que sempre foi muito pobre. Quando veio morar na Vista Alegre, trouxe um fogão velho que era da mãe, a cama que havia ganhado de presente de casamento do pai, um colchão de palha e um acolchoado remendado. Aos poucos foi mobiliando a casa, com a ajuda das pessoas que atendia.

Certa vez, uma mulher de Porto Alegre procurou a benzedeira e quis saber porque Dona Maria não tinha um telefone residencial para facilitar a comunicação. Ela, de imediato, explicou que com os benzimentos ganhava um pacote de erva, um rolo de papel higiênico, um pedaço de sabão, pão ou mandioca, e que não teria condições de comprar o aparelho. Comovida com a situação, a mulher garantiu que daria o telefone e uns dias depois depositou o dinheiro para Dona Maria. O telefone é, até hoje, a forma como os pacientes de longe encontram a benzedeira em casa.

A filha Sonia, que atentamente ouve a mãe contar sobre as dificuldades da vida, afirma que Dona Maria é o maior exemplo para ela e para os irmãos. “A mãe, não só pra mim mas pros meus irmãos, é tudo na nossa vida. Se eu sou o que sou hoje, agradeço a ela. A educação, o caráter, o respeito, eu devo tudo pra ela, ela que me ensinou. Ela que ensinou a gente a ser honesto, a ser digno”, enfatiza.

A homenageada completa 70 anos em junho e desde os 15 dedica a sua vida para curar a de outros. São 55 anos que ela recebe, diariamente, pessoas acometidas por diversas enfermidades e ela garante que seguirá com o ofício até o final de sua vida.

“Tenho fé e desse jeito eu vou indo, ajudando minha irmandade. Ajudando sem olhar a quem. Todos os santos dias, chova ou caia pedra, mesmo doente, não sei dizer que não, não deixo de atender. E eu vou ajudar até o fim da minha vida”, finaliza.



 

 

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